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That’s what I seem to prize, the child or the ingénue, the less worldly characters. You can say that the world may not be getting worse—in a pinch you can say that. But it absolutely incontrovertibly is getting less innocent. You get the feeling that childhood does not last as long as it used to. Innocence gets harder to hold on to as the world gets older, as it accumulates more experience, more mileage and more blood on the tracks.

Your youth evaporates in your early 40s when you look in the mirror. And then it becomes a full-time job pretending you’re not going to die, and then you accept that you’ll die. Then in your 50s everything is very thin. And then suddenly you’ve got this huge new territory inside you, which is the past, which wasn’t there before. A new source of strength. Then that may not be so gratifying to you as the 60s begin [Amis is 62], but then I find that in your 60s, everything begins to look sort of slightly magical again. And it’s imbued with a kind of leave-taking resonance, that it’s not going to be around very long, this world, so it begins to look poignant and fascinating.

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Domingos Lobo, a Portuguese writer, presents gives us an account of Victor Hugo‘s The Miserable. 

Para Victor Hugo o romantismo «é a liberdade na arte». A personalidade de Victor Hugo, a sua influência, o seu prestígio tornam-no na figura literária mais marcante do primeiro romantismo, tanto em França como no resto da Europa. Vejamos Óscar Lopes/António José Saraiva: «A sua lira enriquece-se de novos temas: a luta contra o absolutismo político (Châtiments, 1853); a evolução e o progresso da humanidade (Légende des Siècles – 1859/83); reivindicações humanitárias (Os Miseráveis, 1862). Este alargamento da temática poética de Hugo deve-se principalmente aos acontecimentos de 1848-50 em toda a Europa, às lutas populares e burguesas travadas em França, na Itália, nos Balcãs e na Polónia contra o império francês, contra o feudalismo do Centro e Oriente da Europa, lutas que vinham na sequência das de 1830, com o sensível aparecimento de um factor novo, a camada operária engrossada pela industrialização.» (1)

 

Publicado a 3 de Abril de 1862, Os Miseráveis, tornar-se-ia não apenas o romance mais importante de Victor Hugo, como aquele que, em definitivo, colocaria o autor na galeria dos mais respeitados escritores de toda a história da literatura. O livro, que na versão portuguesa a que recorro para este texto se apresenta em quatro grossos volumes (2), é um fresco impressionante da sociedade francesa da primeira metade do século XIX. Da Batalha de Waterloo (1815), às barricadas da Rue Saint-Denis, em Junho de 1832, a épica história de Jean Valjean, o homem que esteve preso 17 anos por roubar um pão, que sofreu o suplício das galés e que, em grande parte da vida, foi perseguido por Javert, um inspector da polícia que tinha um estranho sentido do dever, é descrita com uma precisão de pormenor que só a pena de um escritor de vastíssimos recursos e qualidades artísticas e humanas conseguiria, com tanto rigor de pormenor, traçar. A morte de Gavroche nas barricadas, o resgate de Marius pelos esgotos de Paris, são momentos ímpares em toda a história da literatura. Raramente o romance, o romance que os autores do século XIX construíram e do qual, ainda hoje, com episódicos pormenores de estilo e de circunstância, somos herdeiros, atingiu, como neste texto de Victor Hugo, tão vastos patamares de emoção, quer na forma de representação da vida colectiva da época, quer na denúncia das atrocidades do sistema em relação ao povo miúdo e deserdado da sorte e da fortuna, os problemas de um povo acossado, as suas lutas e misérias, a revolta, por fim, atingem neste fresco lapidar os momentos mais altos e sublimes de que a literatura, a que se empenha com o homem e o seu devir, foi capaz. O ideal romântico de confiança no homem e na sua capacidade de travar as injustiças, a fome e a opressão, capaz, por fim, de transformar a realidade, superando-a, está plenamente expressa neste romance exemplar. Victor Hugo encena em Os Miseráveis (apesar dos fortes componentes românticos que o estruturam, mormente no último capítulo) as experiências de amplas camadas humanas e do começo da tomada de consciência do operariado. Zola tornaria ainda mais evidente estes pressupostos, e ambos, Zola e Hugo, com o seu exemplo e o manancial humano e social, o romantismo como elemento de transformação do real que os seus textos imprimem e transportam, serviria, oito décadas depois, como esteio do nosso neo-realismo. Ou seja, 150 anos depois, Os Miseráveis ainda é, face às derivas deste nosso desgraçado tempo, um romance actual e pleno de sinais e ensinamentos. Os poderes de hoje ainda prendem e perseguem um homem que tenha fome e roube pão.