A formação de professores exige um acompanhamento da prática pedagógica. Como um professor da instituição do Ensino Superior Público (ESP) tanto pode ir uma como dez vezes acompanhar o aluno-futuro-professor na sua prática pedagógica, as instituições do ESP reduzem quanto querem o tempo de serviço para o efeito.

Todos os documentos relevantes indicam que a educação em ciências desde a mais tenra idade é um fator determinante para o desenvolvimento da criança e a formação de pessoas para uma cidadania ativa. Em ciências físicas e da natureza, o desenvolvimento da curiosidade da criança pelo mundo ao seu redor é fator crucial para que cresça e não definhe o interesse pela ciência e carreiras STEM.

Como estão identificados problemas na formação científica e pedagógica dos professores  em serviço de todos os níveis de ensino, seria de esperar que as instituições do ESP desenvolvessem uma estratégia ativa de promoção de professores reflexivos, críticos, científicamente preparados e pedagógicamente sólidos.

Por motivos orçamentais, a Escola Superior de Educação de Lisboa, por exemplo, cortou mais uma vez horário atribuido à supervisão; resta o quase zero para que a referida escola possa dizer que forma professores. Ainda nesta instituição, o início do ano letivo foi adiado uma semana. Não para a receção aos alunos como colocaram no calendário, mas porque devido a cortes orçamentais se reduziu de forma dramática os contratos de professores convidados, uns, ou porque estão a ser analisados e só são assinados em outubro, outros. Como os professores do quadro não chegam para o que há a fazer, o descontentamento, desorientação e revolta instalam-se como caraterísticas que descrevem o estado de espírito dos professores do ESP.

Os projetos de investigação são aprovados (ou recusados) com 6 meses de atraso e alguns por um painel sem um especialista na área; os recursos das decisões são avaliados sem data que se conheça; o financiamento para investigação é afunilado nas “áreas estratégicas.” A borucracia é uma praga que leva a que se espere meses para que se possa comprar material de uso corrente ou de laboratório.

Esta situação que aqui está apenas esquematizada contrasta com as intenções deste governo do PS. O crédito que esta solução governativa obteve nos primeiros anos foi desbaratado em poucos meses de Centeno-o-Rei. Uma responsabilidade acrescida cabe aos partidos que suportam esta solução. A discussão e aprovação de medidas concretas do OE e a redifinição de objetivos gerais para Portugal e o povo português que possam inverter este rumo exige, em particular do PCP, uma reflexão aprofundada.

Os trabalhadores estão a ir para as caves em Lisboa, pois é uma cave que pode pagar… ainda. A situação difícil que quem trabalha enfrenta exige do PCP uma resposta à altura.

 

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