Fui pagar impostos de manhã e ouvi um comentador político na TSF a referir, repetidas vezes que “quem ganhou” foi a coligação PSD/CDS. (Já agora refira-se o desaparecimento da referência pàf). Dizia isto, e repetia. Esta foi uma referência que ouvi em abundância estes dias. Aliás, na própria noite eleitoral, o pivôt da TVI, antes de apresentar a sondagem à boca das urnas, dizia, mais coisa menos coisa, “vamos agora ver quem ganhou”.

Esta ideia parte do princípio que nada mais resta depois das eleições que não o próprio resultado. E então é em torno deste que todo o debate se teria de desenrolar. Muito à semelhança de um campeonato de futebol, que chegou em primeiro lugar ganhou, o segundo merece algumas referências elogiosas, vários outros ainda podem ter acesso a disputar outras competições (ligas europeias), mas quem ganhou, i.é, quem fica em primeiro é que ganha a taça.

Isto é correto para um campeonato de futebol mas não para os resultados de umas eleições para o Parlamento. Após as eleições, que se destinam a eleger deputados, 230 deputados têm o poder legislativo. Mas estes deputados foram eleitos por forças políticas que mantêm uma disputa de políticas; não são um conjunto amorfo. Existe uma relação de forças, onde o conjunto dos deputados do 2º partido mais votado, com outros, pode formar maioria, fazer e aprovar leis.

Nada de novo. O que fica em primeiro elegeu um determinado número e deputados que no atual quadro parlamentar protuguês está em minoria. A direita parlamentar, sofreu a segunda maior derrota desde o 25 de Abril, perdeu mais de 700 000 votos em relação às ultimas eleições e caiu 12%. Pelo contrário, o PS, a CDU e o BE, em particular estes dois últimos, subiram e tiveram mais votos e mais deputados.

Assim, pergunta-se novamente: quem ganhou? Não foi a direita, pois essa perdeu em toda a linha. Mas então… Os comentadores, os jornalistas, os… Pois, pois. Quem ganhou? Para além do PS, PCP e BE terem a maioria dos deputados, fizeram campanha e têm uma linha programática que contraria a política de austeridade do Governo de Passos Coelho/Paulo Portas. (Bom, o PS com nuances que todos conhecem). Então parece que esse grande bloco, a Esquerda parlamentar ganhou as eleições.

Terá ela habilidade, para formar governo?

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