Archives for the month of: August, 2015

A larga margem de tempo mediático, com simuladores online e ministra das finanças ofline e afirmações mentirosas de uma suposta devolução percentual de um roubo fiscal já feito não deixa margem para outro sentimento mais favorável.

A propaganda com máquina montada a servir a propaganda numa espécie de cadeia de produção fordista é arrasadora: roubam $ com a sobretaxa, elaboram um simulador que prevê a devolução para depois das eleições em condições dadas. De cada vez que sai uma perspetiva orçamental, sai um conjunto de afirmações de que os portugueses irão receber muitos e muitos milhões com as televisões a amplificarem o roubo tornando-o numa dávida.

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O instrumento ideal para levar a cabo o programa do FMI, BCE e CE é o Syriza. Eleito com base num programa anti-troika, o poder dentro do Syriza parece residir nos que, dentro dele, suportam mais austeridade e políticas anti patrióticas. Com eleições antecipadas à vista, Tsipras procura recuperar a maioria no parlamento. Conseguindo, o povo grego verá intensificadas as políticas do PASOK e ND sob a capa de um governo social democrata, capaz de melhor iludir os trabalhadores e o povo.

Paulo Baldaia na @SICN repetiu hoje o mito da #UGT e da Coligação PDS+CDS de que é melhor a taxa de desemprego descer do que subir. Estando a falar de uma grandeza estatística, é um disparate completo.

De facto a taxa de desemprego pode descer devido a uma autêntico terramoto demográfico como seja o aumento da emigração forçada – que não é boa e tem consequências sociais negativas muito vastas. Pode descer devido à criação de postos de trabalo precários e/ou mal pagos, com consequências evidentes no empobrecimento geral da população e desvalorização do trabalho.

Ficamos por estes dois fatores. O que nos choca não é a brincadeira tosca que a coligação PSD/CDS faz com os números, mas a forma acrítica de jornalistas que parecem (dou o desconto de um mau dia) transformados em porta-voz.

Esta leitura é muito informativa sobre o que entra nas estatísticas como desemprego e o desemprego sem validade estatística mas de consequências sociais e individuais sempre muito pesadas. Como refere Jorge Cordeiro, “a redução do desemprego que o governo regista como um êxito é construído na base da amargura, sofrimento e da saudade de centenas de milhares de portugueses que foram obrigados a emigrar, expulsos por decisão deste governo ao lhes negar condições de vida no país.”