Na Abertura do ano letivo o Reitor da Universidade de Coimbra coloca o dedo na ferida:

Uma narrativa que ouvimos vezes sem conta na comunicação social, e em que muitos parecem acreditar, é que não vale a pena ter formação superior, pois o desemprego é o destino que espera os que acabam o curso.
Mas não é assim. No final do segundo trimestre deste ano, por exemplo, o Instituto Nacional de Estatística diz que a taxa de desemprego entre as pessoas que terminaram o ensino secundário e não obtiveram formação superior era 40% mais alta do que para aqueles que completaram um curso superior. No caso das pessoas apenas com o ensino básico ou inferior, a diferença era ainda maior: 47% mais alta. Se o grupo dos diplomados nas melhores universidades portuguesas fosse analisado separadamente, a vantagem da formação superior seria seguramente ainda mais evidente.
A melhor defesa contra o desemprego é um curso superior de qualidade. O mais direto caminho para o desemprego é ficar pelo caminho.
Por outro lado, sendo o euro uma moeda tão forte, um país da zona euro só pode basear a sua competitividade no conhecimento inovador. Ora, as universidades têm um papel decisivo na produção desse conhecimento inovador, e portanto são peça chave na recuperação de Portugal.

Como se compreende então que, neste final de setembro, ainda não saibamos qual o orçamento de que vamos dispor para o ano corrente? O reforço necessário para pagar o subsídio de férias em novembro tem-nos sido repetidamente prometido, mas sabemos que será parcial, e não sabemos qual a parte que terá de ser suportada por nós. Foi-nos também aplicada em agosto uma cativação de 1,5 milhões de euros, que temos vindo a reclamar que seja levantada, mas ainda não temos qualquer resposta. Somados todos os cortes temos em 2013 uma redução efetiva de cerca de 3,8 milhões de euros. Não é possível absorver esta diminuição num orçamento que já vem tão apertado de 2012.

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