No dia 9 de Setembro, no seu programa “Olhos nos olhos”, Medina Carreira voltou a bater no seu saco de pancadas preferido: o chamado “estado social”. A perversidade desta estrela da TV portuguesa é que embrulha o seu ataque ao “estado social” (pensões, educação, saúde, etc) em meias verdades. Assim, quando aponta o crescimento da despesa pública esquece de dizer que o peso dos juros já é superior à educação e idêntico ao da saúde. Na verdade, os principais problemas do Estado português são a quebra de receita fiscal devido à recessão económica, bem como despesas que podem e devem ser reduzidas – como as PPPs e os custos energéticos (rendas excessivas). 
Cabe perguntar: quando os juros da dívida pública começaram a aumentar de forma tão alarmante? A resposta, a partir da entrada de Portugal na zona Euro, ou seja, da perda da sua soberania monetária. Desde então, para financiar-se, o Estado português teve e tem forçosamente de recorrer à banca privada. Assim, por esse caminho, o EstadoNUNCA poderá libertar-se do endividamento – ele será eterno. 
Note-se que esta situação não é exclusiva de Portugal. O economista Jacques Sapirmostrou como o endividamento do Estado francês disparou após a entrada da França no Euro. Ou seja, a entrada no Euro foi mais onerosa para o Estado francês do que todo o custo da reconstrução do país no período do pós guerra. 
A conclusão inevitável, que M. Carreira não quer tirar, é que para sanar os problemas financeiros actuais Portugal precisa necessariamente recuperar a sua soberania monetária. É indispensável sair do Euro, mas a sua perversidade consiste em aterrorizar o público contra esta possibilidade e necessidade. 
Dois factos históricos que vale a pena recordar:  Na guerra civil americana, o Norte financiou o custo da guerra sem se endividar demasiado, através da emissão de moeda própria (os chamados greenbacks ) – Abraham Lincoln foi sábio. Por sua vez, a Geórgia, estado sulista confederado, endividou-se para financiar a sua guerra e nunca mais reembolsou a dívida. Ambos os factos deveriam fazer-nos meditar.

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