Yes, Mister Director 

A angústia existencial de muitos professores (os que ainda conservam o posto de trabalho) radica na situação de desencanto relativamente à política ou polícia educativa:   por um lado, há quem tente manter a sua missão em parâmetros científico-didácticos e de dignidade socioprofissional, defendendo a quadratura de diálogo; por outro lado, alguns agentes do Poder Central, da confiança do Poder e pelo Poder incentivados e resguardados, foram e vão usurpando espaço de representação e consenso. Assim, retomam as rédeas e os tiques de antigos reitores ou directores, marcando os que não se amoldem à Nova Ordem Escolar ou do Senhor Director, que desprovido de Autoridade Pedagógica e de Escrutínio da Comunidade se refugia e escuda em argumentos e procedimentos de Autoridade Policial. Já se apontam casos de montagem de câmaras de vigilância nas horas activas, por certo mais tecnologicamente avançadas e fiáveis do que os bufos.

Cântico de Régio 

Perante o estado de sítio imposto nalgumas escolas, tornadas lugares de humilhação e confronto, decepção e desconfiança, intriga e incerteza, factoreseducativos, a que se somam a sobrecarga de tarefas e o caos legislativo e regulamentar, assumir o regiano sei que não vou por aí redunda num preço de carreira e em danos de personalidade. Mas um não consciente e animoso supera um sim inconsciente e temeroso. Compreender-se-á, em sede lectiva, o cunho galhardo e camoniano da sentença. É que, efectuado um balanço (crítico e cívico) de séculos de esforço para ilustrar a Grei, eis o momento para uma petição on-line, a enviar ao n.º 107 da Avenida 5 de Outubro, Lisboa.

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS DA EDUCAÇÃO

A partir da recepção desta carta, sufragada por mais de 100 mil professores e milhões de portugueses, queira Esse Ministério, que tem em marcha acelerada um Plano Anti-Escola Pública (economicista, elitista, dirigista e centralista), mudar o nome da instituição, de forma a harmonizar a cara com a careta, aclarando, com objectividade e frontalidade, o ponto a que chegou o estado da Educação e a educação do Estado. Para tal, fomos buscar inspiração ao ano de 1870, data do Primeiro Ministério e marco desalentador da Geração de 70 ou dos Vencidos da Vida. Não divisamos nome mais ajustado e avisado do que o acima proposto.

Nova Geração de 70

No arranque do Novo Ano Lectivo e em defesa da Comunidade Escolar (submetida a pressões e a depressões) e realmente A Bem da Nação (ainda não vencida, mas enfraquecida), o Grupo dos 11, de novo, se reuniu, num estabelecimento da capital, desta vez, para mais do que jantar e fazer a digestão, verdadeiramente indignado com os rumos da Pátria e os roubos dos apátridas, francamente desiludido com o Rey e o Seu Governo, decididamente apostado em repor os Ideais da Geração de 70 do Séc. XX ou da Revolução de 25 de Abril, tomando por exemplo a Revolução de Avis. Aqui e deste modo se firma e reafirma a vontade de contribuir para a Reposição da Democracia da Inteligência e da Decência, no dia em que também quisemos assinalar o levantamento do Cerco de Lisboa pelos castelhanos, vencidos pela tenacidade dos sitiados e convencidos pela peste negra. Como se lembrará, corria e decorria o três de Setembro de mil e trezentos e oitenta e quatro, conforme as Crónicas de Fernão. Entretanto, soubemos de várias fontes que os castelhanos também mudaram de nome, agora se intitulando de troikanos, mas o assédio é idêntico, vendo-se até, entre as hostes do inimigo, como na antiga luta pela independência e pela soberania, quem deveria acautelar as muralhas. Todos nos levantamos do chão sepulcral, a fim de ajudar a repelir o cerco dos homens da pasta negra. Então, o Mestre apunhalou o conde Andeiro e o povo defenestrou o bispo Martinho. Para que se divulgue nas Portas de Cidade e conste no seio da arraia-miúda:

António Cândido
Carlos Lobo de Ávila
Carlos Mayer
Conde de Arnoso
Conde de Ficalho
Conde de Sabugosa
Eça de Queirós
Guerra Junqueiro
Marquês de Soveral
Oliveira Martins
Ramalho Ortigão

Hotel Braganza, 03/09/2012.

 

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