read here (in Portuguese), this text from Domingos Lobo

Jorge Amado pertence a uma geração de autores brasileiros que produziu, a partir dos anos 1930, uma literatura que começava – depois do fulgor realista de Machado de Assis – a pensar o Brasil fora da herança arcádica do colonialismo, fugindo aos apelos do modernismoe, até, da Renascença Portuguesa em cuja revista Águia poetas como Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida haviam colaborado.

Essa nova geração de poetas e prosadores, de Carlos Drumond de Andrade a Vinícius de Moraes, de Guimarães Rosa a João Cabral de Melo Neto, visava criar uma literatura autónoma face ao legado do romantismo e do realismo portugueses, que fosse, a um tempo, consciente e interventiva, centrada na realidade brasileira e sul-americana, exprimindo uma sintaxe nova mas fugindo ao folclorismo romântico de José de Alencar, e investindo a sua capacidade discursiva na denúncia das escandalosas desigualdades sociais, as misérias e sevícias sofridas pelo povo miúdo, que a crise de 1929 e o avanço, na Europa, do nazi-fascismo tornavam evidentes mesmo num país que tentava, através do discurso hiperbólico de Getúlio Vargas, proclamado pelos seus seguidores como pai dos pobres, manter o Brasil neutral face ao vasto conflito que abalava o mundo. A neutralidade não o impediu, no entanto, de manter clara simpatia pelos países do eixo, de perseguir, com o patrocínio do clero reaccionário, os comunistas e seus companheiros de jornada e de luta.

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